O Wrestler
(Título original: The Wrestler)
É impossível falar de "O Wrestler" sem falar de Rourke. De facto, o já veterano actor, estrela no final dos anos 80, cadente no século XXI, recupera aqui a sua carreira com uma personagem que é tanto Randy "The Ram" Robinson como é Mickey Rourke. É impossível, mas vou tentar.
"O Wrestler" é muito mais que Rourke. É um filme sobre glórias passadas, sobre a decadência e queda, sobre um confronto do mito com a vulgaridade do mundo. Aronofsky tem a feliz capacidade de filmar uma realidade muito particular, a de Randy, sem se perder em clichés ou julgamentos. Apresenta um filme com uma simplicidade despojada de quaisquer adornos e com um respeito pela humanidade de cada personagem que se elogia.
Randy "The Ram" Robinson é um trapo velho. Mas o que foi dá-lhe crédito e respeito junto dos seus pares. E enquanto procura vencer o tempo e manter-se naquilo que nasceu para fazer, é confrontado com um rotina diária que lhe trás de volta à realidade, à sua vulgaridade, e à sua solidão diária. Aqui alimenta-se de duas relações díspares. Uma fantástica Marisa Tomei, uma stripper em fim de carreira, mãe solteira, cuja ligação com Randy cresce mais nas sua afinidades e necessidades que nas razões amorosas. Uma não menos excelente Evan Rachel Wood, a filha desprezada e ressentida de Randy.
"O Wrestler" é um filme sobre lugares comuns, com pessoas comuns. Aronofsky filma-os com dignidade, trazendo-lhes uma luminosidade surpreendentemente tocante. E isso é que o torna diferente. Com toda a justiça.
Nota: 8/10




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