The Mist - Nevoeiro Misterioso
(The Mist)
Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma proliferação de um segmento mais gore/tortura/sangue/porno de filmes de terror, de onde se destacam os "Hostel" e "Saw". São feitos para mexer com o espectador, mostrando-lhe vísceras, olhos a saltar, membros a voar de um lado para o outro, tudo num grande cocktail de sangue e outra porcaria qualquer. Se é isto que querem ver, esqueçam este "The Mist". O novo filme de Frank Darabont ("Os Condenados de Shawshank", "Green Mile"), é de outra liga (se quisermos, a mesma de "Dawn of the Dead" de George A. Romero).
Para começar, Frank Darabont, devia ser o único autorizado a adaptar as obras de Stephen King. Só ele é capaz de compreender que as criaturas que King utiliza são meros meios para um fim e não o fim em si. Ele é capaz de dar o balanço humano que a maioria dos filmes de "horror" simplesmente não têm hoje em dia e evitar fracassos como "Dreamcatcher", incrivelmente desperdiçado no cinema.
Eu tive um "professor" de teatro que me ensinou que, mesmo podendo nós estar perante a situação mais inacreditável ou a situação mais ridícula, se as personagens forem credíveis, inteiras e elas próprias forem crentes, a verdade cénica passará para o público. E a verdade cénica não é nada mais que fazer o público acreditar que aquilo é verdade ou que pode acontecer. O cinema não é excepção pelo que é no fortalecimento das personagens e na exploração das suas camadas ("as pessoas são como as cebolas" diz Shrek), para expor o medo, o preconceito e as suas vulnerabilidades, que se criam as fundações para uma obra sólida e efectiva.
A verdade é que "The Mist" deixou-me absolutamente preso ao assento durante toda a sua duração (com um salto ou outro da cadeira...), e aquela sensação de mau agoiro, de que "algo-de-mau-vai-acontecer" em quase todas as cenas, deixou-me emocionalmente exausto. É de facto uma obra que vai rareando: é um thriller que consegue ser assustador mas inteligente. Darabont não se deixa levar pelos sustos fáceis e cria o terror através das suas personagens, do seu humor e ansiedade. E por consequência, "The Mist" foca não os seus monstros mas sim os seus humanos, num quadro de intenso estudo de carácter e em como as pessoas enfrentam o medo numa situação completamente desesperante - levantando a pergunta: quem são os verdadeiros monstros?
Como aparte, tenho que referir o fantástico papel de Marcia Gay Harden (a oscarizada em "Pollock"), que apesar de alguns polimentos humanizantes de Darabont, é provavelmente das personagens mais aterradoras que chegaram à grande tela, que vão odiar com todas as fibras do vosso corpo. Fantástica. Assim como todo o elenco, que consegue performances bastante sólidas.
E para terminar... o final do filme (que não vou revelar como é óbvio), deixa-nos completamente K.O.! É brilhante mas é igualmente o seu ponto mais controverso, fazendo-me lembrar alguns trabalhos de Hitchcock. Mas justiça seja feita, que melhor fim se poderia pedir? É para mim, claramente, a melhor conclusão possível para um filme de "terror" que, a bem da verdade, o que trata e expõe é mesmo a condição humana. A não perder!
Nota: 8/10


























